Regência verbal e nominal: os verbos que mais caem

Regência verbal e nominal é a matéria que explica por que "assisti ao filme" está certo e "assisti o filme" é a pegadinha preferida da banca. Regência é a relação entre uma palavra e o complemento que ela exige, com ou sem preposição. Domina esse tema quem acerta não só a questão de regência em si, mas também a de crase, que nasce dela. Aqui você vê os verbos que mudam de sentido conforme a preposição, os nomes que pedem preposição e os erros que mais derrubam candidato.
O que é regência, em uma frase
Regência é o modo como um verbo ou um nome "pede" seu complemento. Quando quem rege é um verbo, fala-se em regência verbal; quando é um substantivo, adjetivo ou advérbio, em regência nominal.
A chave é a preposição. Alguns termos exigem complemento direto, sem preposição; outros exigem preposição ("a", "de", "em", "com", "por"). Trocar a preposição certa pela errada, ou tirá-la quando ela é obrigatória, é exatamente o que a prova cobra.
Regência verbal: os verbos que mudam de sentido com a preposição
Vários verbos têm mais de uma regência, e o sentido muda junto. Os campeões de prova:
- Assistir: com "a", significa ver ("assisti ao jogo"); sem preposição, significa prestar socorro ("o médico assistiu o paciente").
- Visar: com "a", é ter como objetivo ("visa ao cargo"); sem preposição, é mirar ou dar visto ("visou o cheque").
- Aspirar: com "a", é almejar ("aspira ao posto"); sem preposição, é inalar ("aspirou o ar").
- Proceder: com "a", é dar início ("procedeu à leitura"); sozinho, é ter fundamento ("a crítica procede").
- Implicar, no sentido de acarretar, não leva preposição: "o atraso implica multa", não "implica em multa".
Outros três que caem muito: "chegar" e "ir" pedem "a", não "em" ("cheguei a São Paulo", "vou ao banco"); "obedecer" e "desobedecer" pedem "a" ("obedeça às regras"); e "preferir" pede uma coisa "a" outra, sem "do que" ("prefiro cinema a teatro").
Regência nominal: os nomes que pedem preposição
Muitos substantivos e adjetivos exigem uma preposição fixa, e a prova cobra qual é a certa. Os mais frequentes:
- Acessível, favorável, contrário, útil e fiel pedem "a": "acessível a todos", "favorável ao projeto".
- Apto, propenso e disposto pedem "a": "apto ao cargo", "disposto a colaborar".
- Respeito, aversão e horror pedem "a" ou "por": "respeito aos colegas", "aversão a mentira".
- Capaz, digno e passível pedem "de": "capaz de aprovar", "passível de recurso".
- Compatível, incompatível e paralelo pedem "com": "compatível com a função".
Vale guardar os pares que parecem iguais mas mudam de regência, como "ansioso por" e "ânsia de". A banca adora oferecer a preposição trocada na alternativa errada.
Regência e crase andam juntas
Aqui está o ganho escondido do tema. Sempre que um verbo ou nome rege a preposição "a" e o complemento é uma palavra feminina que aceita artigo, surge a crase.
É por isso que "assistir à sessão" leva acento: o verbo pede "a" e "sessão" aceita "a". Se você domina a regência, a crase deixa de ser chute. Por isso vale estudar os dois juntos: confira quando usar a crase e os erros que mais caem logo depois de fechar a regência verbal.
Os erros que mais derrubam na prova
Alguns deslizes se repetem em quase todo edital. Marque estes:
- "Assisti o jogo" no sentido de ver. O certo é "assisti ao jogo".
- "Implica em". No sentido de acarretar, é sem preposição: "implica custos".
- "Cheguei em casa" numa prova formal. A norma culta pede "cheguei a casa".
- "Prefiro ficar do que sair". O correto é "prefiro ficar a sair".
- "Namorar com alguém". A norma pede objeto direto: "namorar alguém".
Como estudar regência para a prova
Regência rende porque é lista fechada de termos com complemento fixo, e cada acerto costuma valer dois pontos: o da regência e o da crase. Um plano que fecha em uma semana:
- Dia 1 e 2: monte uma tabela só com os verbos de dupla regência (assistir, visar, aspirar, proceder) e escreva uma frase sua para cada sentido.
- Dia 3: fixe os verbos de preposição "a" (chegar, ir, obedecer, preferir) e o "implicar" sem preposição.
- Dia 4: liste os nomes mais cobrados (acessível, apto, capaz, compatível) com a preposição de cada um.
- Dia 5: conecte regência e crase, refazendo frases com "a" diante de palavra feminina.
- Dia 6 e 7: resolva de 30 a 40 questões da sua banca e revise só o que errou.
O passo final é o que fixa. Regência gruda resolvendo questão, não relendo a lista. Aposte em estudar por questões, a técnica que mais fixa a matéria, e trate o tema em dupla com a concordância verbal e nominal, já que as duas decidem a correção da frase. Para ver o peso do tópico no conjunto da prova, confira o que mais cai de Português em concurso.
Perguntas frequentes
"Assisti o filme" ou "assisti ao filme"?
"Assisti ao filme". No sentido de ver ou presenciar, o verbo "assistir" pede a preposição "a". Sem preposição, "assistir" muda de sentido e passa a significar prestar assistência: "a enfermeira assistiu o doente".
"Implica" pede "em"?
Não, quando significa acarretar. O certo é "o erro implica anulação", sem preposição. A forma "implicar em" só aparece no sentido de implicância ("vive implicando com o colega"), que não é o cobrado na maioria das questões.
Regência tem a ver com crase?
Sim, e muito. A crase só existe quando um termo rege a preposição "a" e o complemento é feminino com artigo. Dominar a regência verbal e nominal é o que transforma a crase de chute em regra, porque mostra quando a preposição "a" está realmente presente.
"Prefiro isso do que aquilo" está certo?
Não. O verbo "preferir" rege uma coisa "a" outra: "prefiro isso a aquilo". As formas "do que", "mais do que" e "antes" com "preferir" são consideradas erro na norma culta cobrada em concurso.
Resumo
Resumo rápido: regência é a relação entre um termo e o complemento que ele exige, com ou sem preposição; é verbal quando quem rege é o verbo e nominal quando é um nome. Verbos como assistir, visar, aspirar e proceder mudam de sentido conforme a preposição "a"; chegar, ir, obedecer e preferir pedem "a"; e implicar, no sentido de acarretar, não pede preposição. Na nominal, domine acessível a, apto a, capaz de e compatível com. O ganho extra é a crase, que nasce da regência da preposição "a" diante de palavra feminina. Os erros que mais caem são "assisti o jogo", "implica em", "prefiro do que" e "namorar com". Estude em uma semana e feche resolvendo questões da sua banca.
Última atualização: outubro de 2026.



