Concordância verbal e nominal: regras e pegadinhas

Concordância verbal e nominal é o tipo de assunto que decide questão de Português na prova por um detalhe. Uma letra a mais no verbo, um adjetivo no gênero errado, e a alternativa certa vira a errada. A boa notícia é que concordância tem lógica fixa e cai em praticamente todo edital. Aqui você vê, com exemplos do jeito que a banca cobra, como o verbo combina com o sujeito, como o adjetivo combina com o substantivo e as pegadinhas que mais derrubam candidato.
A diferença entre as duas, em uma frase
Concordância verbal é a harmonia do verbo com o sujeito: se o sujeito é plural, o verbo vai para o plural. Concordância nominal é a harmonia do nome (artigo, adjetivo, numeral, pronome) com o substantivo a que ele se refere, em gênero e número.
Guarde a lógica: o verbo olha para quem pratica a ação; o adjetivo olha para o que ele caracteriza. Achar esse termo de referência resolve a maioria das questões, porque o erro quase sempre está em concordar com a palavra errada.
Concordância verbal: o verbo combina com o sujeito
O caso básico é direto, mas a prova gosta das situações em que o sujeito se esconde. Os que mais aparecem:
- Sujeito composto antes do verbo pede plural: "o diretor e o secretário assinaram o documento".
- Sujeito composto depois do verbo aceita os dois: "assinou o documento o diretor e o secretário" ou "assinaram".
- "Um dos que" costuma ir ao plural, porque a ideia é de grupo: "ele foi um dos que mais estudaram".
- Verbo "haver" no sentido de existir é impessoal, fica no singular: "havia muitas vagas", nunca "haviam muitas vagas".
- Nas expressões de tempo com "fazer", o verbo também é impessoal: "faz dez anos que trabalho aqui", não "fazem".
Atenção à partícula "se". Com verbo transitivo direto, ela é apassivadora e o verbo concorda com o sujeito: "vendem-se casas" (casas são vendidas). Com verbo transitivo indireto ou intransitivo, ela indica sujeito indeterminado e o verbo fica no singular: "precisa-se de funcionários".
Concordância nominal: o adjetivo combina com o substantivo
Aqui o foco é gênero e número entre o nome e aquilo que ele acompanha. As regras mais cobradas:
- Adjetivo depois de dois substantivos pode concordar com o mais próximo ou com todos: "estudei história e geografia brasileira" ou "brasileiras".
- Adjetivo antes de dois substantivos concorda com o mais próximo: "velha casa e sobrado".
- "Anexo", "obrigado", "mesmo" e "próprio" variam como adjetivos: "seguem anexas as planilhas", "muito obrigada", disse ela.
- "É proibido", "é necessário", "é bom" ficam invariáveis sem artigo, mas variam com artigo: "é proibido entrada" e "é proibida a entrada".
- "Meio" vale "metade" e não varia nesse sentido: "meio-dia e meia" (meia hora), "ela está meio cansada".
Palavras como "bastante" merecem cuidado: quando equivale a "muito(s)" e acompanha substantivo, varia ("bastantes questões"); quando equivale a "muito" e modifica adjetivo ou verbo, fica invariável ("estão bastante preparados").
As pegadinhas que mais derrubam na prova
Alguns erros se repetem edital após edital. Deixe estes marcados:
- "Haviam" no sentido de existir. O certo é "havia", sempre no singular, porque o verbo é impessoal.
- "Fazem anos". Também errado; "faz anos", já que "fazer" de tempo não tem sujeito.
- Verbo concordando com o adjunto, não com o núcleo do sujeito: em "a caixa de bombons estava fechada", quem estava fechada é a caixa, não os bombons.
- "Menos" no feminino. Não existe "menas"; a palavra é invariável: "menos pessoas", "menos água".
- Porcentagem: o verbo concorda com o número. "1% votou", mas "30% votaram"; com especificador, concorda com ele: "30% da turma votou".
Como estudar concordância para a prova
Concordância rende porque é um tópico de regra fechada, com retorno alto em questão. Um plano que fecha em uma semana:
- Dia 1 e 2: fixe o conceito de sujeito e treine achar o núcleo em 20 frases, inclusive com o sujeito depois do verbo.
- Dia 3: ataque os verbos impessoais (haver, fazer de tempo) e a partícula "se", que é onde a banca mais pega.
- Dia 4 e 5: passe para a nominal (anexo, obrigado, é proibido, meio, bastante) e escreva um exemplo seu de cada caso.
- Dia 6 e 7: resolva de 30 a 40 questões da sua banca e revise só o que errou.
O passo que fixa é o último. Concordância gruda resolvendo questão, não relendo tabela. Vale apostar em estudar por questões, a técnica que mais fixa a matéria, e encaixar o tópico no bloco maior da disciplina. Para ver onde ele entra no todo da prova, confira o que mais cai de Português em concurso e combine com a regência verbal e nominal, que trabalha em dupla com a concordância na correção da frase.
Perguntas frequentes
"Havia" ou "haviam muitas pessoas"?
"Havia muitas pessoas". No sentido de existir ou acontecer, o verbo "haver" é impessoal e fica sempre no singular, não importa se o complemento está no plural. "Haviam" só é correto quando "haver" é auxiliar: "eles haviam saído".
Como concorda o verbo com porcentagem?
Com o número que aparece. "1% compareceu", "25% compareceram". Quando há um termo que especifica a porcentagem, o verbo concorda com esse termo: "20% dos servidores aderiram", mas "20% do grupo aderiu".
"Em anexo" ou "anexo" varia?
A palavra "anexo" funciona como adjetivo e concorda com o substantivo: "seguem anexos os documentos", "segue anexa a planilha". A forma "em anexo" é invariável, mas muitas bancas preferem a concordância, então domine a variação.
Existe "menas"?
Não. "Menos" é invariável e serve para os dois gêneros: "menos vagas", "menos tempo". Escrever "menas" é erro de concordância que a prova cobra justamente para separar quem domina a regra.
Resumo
Resumo rápido: concordância verbal é a harmonia do verbo com o sujeito, e concordância nominal é a harmonia do nome (artigo, adjetivo, numeral) com o substantivo em gênero e número. O segredo é achar o termo de referência certo antes de concordar. Na verbal, cuidado com "haver" e "fazer" impessoais (sempre singular), com a partícula "se" e com o sujeito depois do verbo. Na nominal, domine "anexo", "obrigado", "meio", "bastante" e "é proibido". Os erros que mais caem são "haviam" no sentido de existir, "fazem anos", "menas" e a concordância com a palavra errada. Estude em uma semana e feche resolvendo questões da sua banca.
Última atualização: outubro de 2026.



