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Chute na prova de concurso: quando vale a pena arriscar

Equipe Revolução · 23 de agosto de 2026

Chute na prova de concurso: quando vale a pena arriscar

Chute na prova de concurso vale a pena quando não há desconto por erro: aí deixar em branco é jogar nota fora. Em prova de múltipla escolha sem penalidade, marque todas as questões, mesmo as que você não sabe. Em prova de Certo ou Errado que anula acerto com erro, como as do Cebraspe, o chute só compensa quando você elimina alternativa ou tem uma boa intuição. A regra que mais rende não é adivinhar melhor, é eliminar o que está claramente errado antes de escolher.

Faltam quinze minutos, oito questões ainda em branco e a mão parada em cima do cartão. Você já sabe que não vai fazer a matéria brotar na cabeça agora. A pergunta que decide alguns pontos, e às vezes a vaga, é simples: chuto ou deixo em branco? A resposta muda conforme o tipo de prova e o quanto você consegue eliminar. Quem entende isso ganha pontos que o vizinho de cadeira, com o mesmo conhecimento, deixa na mesa.

O que é chute técnico e por que ele não é sorte

Chute técnico é escolher uma resposta depois de cortar as alternativas que você tem certeza de que estão erradas. Não é fechar o olho e apontar. É usar o pouco que você sabe para inclinar a probabilidade a seu favor.

A conta é direta. Numa questão de cinco alternativas, o chute cego acerta uma em cada cinco, 20%. Se você elimina uma alternativa absurda, sobram quatro e a chance sobe para 25%. Elimina duas, sobram três, 33%. Elimina três, virou cara ou coroa: 50%. Cada alternativa que você derruba quase dobra a sua chance em relação ao chute às cegas.

Alternativas que sobram Chance de acertar o chute
5 (chute cego) 20%
4 (eliminou 1) 25%
3 (eliminou 2) 33%
2 (eliminou 3) 50%

Repare no que a tabela diz. O ganho não vem de "ter sorte", vem de eliminar. É a mesma habilidade que você treina resolvendo questões todo dia: quanto mais prova de banca você resolve, mais rápido reconhece a alternativa que só está ali para confundir.

Chutar ou deixar em branco depende da prova

Antes de decidir, você precisa saber uma coisa do edital: a prova desconta ponto por erro? É isso que vira o jogo.

Múltipla escolha sem desconto (o caso mais comum: FGV, FCC, Vunesp, Cesgranrio). Aqui errar custa o mesmo que deixar em branco, ou seja, zero. Então não existe motivo para entregar questão vazia. Toda questão em branco é um bilhete de loteria que você rasgou sem raspar. Marque todas, sempre, nem que seja no cego nos últimos segundos.

Certo ou Errado que anula (o caso clássico do Cebraspe). Nesse formato, cada erro costuma cancelar um acerto. Chutar no cego aqui tende a somar zero na média: metade dos chutes ganha um ponto, a outra metade tira. O branco vale zero e não tira nada. A regra inverte: só marque quando eliminou parte da dúvida ou tem intuição de verdade, acima de uns 60%. Na dúvida pura, deixe em branco.

Uma ressalva honesta: cada edital manda no seu próprio jogo. Confira na parte de "critérios de avaliação" se existe desconto e de quanto é antes de fechar a sua estratégia de chute. Não confie no "ouvi dizer que fulano desconta": leia o edital da sua prova.

5 sinais para o chute técnico

Quando sobrar dúvida entre duas ou três alternativas, estes sinais ajudam a inclinar a escolha. Nenhum é lei, todos são tendência: valem quando você não tem nada melhor para decidir.

  1. Alternativa com "sempre", "nunca", "somente", "exclusivamente". Afirmações fechadas demais costumam ter exceção, e o examinador sabe disso. Desconfie das absolutas antes das moderadas.
  2. Duas alternativas que se contradizem. Quando duas opções dizem o oposto uma da outra, muitas vezes a resposta é uma delas: o examinador montou o par de propósito. Concentre a dúvida nas duas.
  3. A alternativa mais completa e bem escrita. Em questão de conceito, a opção mais detalhada e sem erro tende a ser a correta com mais frequência que o fragmento solto. Tendência, não garantia.
  4. Concordância com o enunciado. Leia a alternativa colada à pergunta. Se a frase montada fica gramaticalmente torta, do tipo "o candidato... devem", quase sempre é distrator.
  5. O que você viu no edital. Antes de sair da questão, pergunte que tópico ela cobra e o que a sua revisão diz sobre ele. Um fragmento de memória vale mais que qualquer regrinha de prova.

Guarde esses sinais para o fim, não para o meio. Eles são muleta de última hora, não método de estudo. O que faz você acertar de verdade é a matéria na cabeça; o chute técnico só recupera o que a dúvida ia levar embora.

Mudar a resposta no fim: o mito do primeiro instinto

"Nunca mude sua primeira resposta, o instinto acerta." Você já ouviu isso, e a pesquisa mostra o contrário. Um grupo liderado por Justin Kruger publicou em 2005, no Journal of Personality and Social Psychology, uma revisão de dezenas de estudos sobre trocar respostas em provas. O padrão se repete: quando o aluno muda uma resposta, ele troca de errado para certo com mais frequência do que de certo para errado.

Por que a fama do "primeiro instinto" resiste então? Por causa da memória seletiva. Trocar um acerto por um erro dói e fica marcado; as vezes em que a troca salvou a questão passam batido. A gente lembra do tombo, não das vezes que o pulo deu certo.

O recado prático não é "mude tudo". É este: se, ao revisar, você enxergar um motivo concreto para trocar (releu o enunciado e viu um "exceto", lembrou da regra, achou a pegadinha), troque sem medo. O que não vale é mudar por puro nervosismo, sem argumento novo. Por falar em nervosismo, ele é o maior inimigo do chute bem feito, e dá para domar: veja como no texto sobre ansiedade pré-prova.

Erros que fazem o chute jogar contra você

Perguntas frequentes

Vale a pena chutar em prova de concurso?

Na prova de múltipla escolha sem desconto por erro, sempre. Errar e deixar em branco valem a mesma coisa, zero, então marcar dá chance de ponto e não custa nada. Em prova de Certo ou Errado que anula acerto, só vale quando você elimina alternativa ou tem boa intuição; no chute cego, deixe em branco.

Pode deixar questão em branco no concurso?

Pode, mas na maioria das provas de múltipla escolha isso é jogar ponto fora, porque branco e erro pontuam igual: zero. Deixar em branco só faz sentido em prova que desconta por erro, quando você não tem como reduzir a dúvida.

Chutar na prova do Cebraspe vale a pena?

Só com critério. Nas provas de Certo ou Errado, o erro costuma anular um acerto, então o chute cego tende a somar zero no total. Se você consegue eliminar parte ou tem intuição forte, o risco vira a seu favor. Confirme sempre a regra de desconto no edital da sua prova.

É melhor não mudar a resposta na prova?

Não necessariamente. As pesquisas mostram que, ao trocar, o candidato acerta mais vezes do que erra. Mude quando tiver um motivo concreto (releu e entendeu melhor, lembrou da regra). Não mude só por ansiedade, sem argumento novo.

No fim, o chute é a ferramenta que aproveita o que a dúvida ia desperdiçar, não um atalho para quem não estudou. Quem domina a matéria e ainda sabe chutar direito sai na frente de quem sabe o mesmo tanto e entrega questão em branco. Treine a eliminação no simulado cronometrado, até decidir rápido virar automático na hora da prova.

Última atualização: agosto de 2026.

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