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Simulado para concurso: por que ensaiar a prova rende mais

Equipe Revolução · 22 de agosto de 2026

Simulado para concurso: por que ensaiar a prova rende mais

Fazer simulado para concurso rende mais do que só reler a matéria porque ensaiar a prova inteira fixa o conteúdo, treina o tempo e reduz o nervosismo no dia. O ideal é encaixar um simulado completo e cronometrado a cada uma ou duas semanas e transformar cada erro em revisão, não deixar tudo para a véspera.

Você acha que está pronto porque leu o edital todo e assistiu às aulas. Mas reconhecer a matéria no livro é uma coisa; resgatá-la sozinho, sob pressão e com o tempo correndo, é outra bem diferente. É por isso que tanta gente "sabe o conteúdo" e mesmo assim trava na prova: estudou a teoria a fundo, mas nunca ensaiou a prova de verdade. O simulado é esse ensaio, e quem pula essa etapa costuma descobrir tarde demais onde estava fraco.

O que a ciência diz sobre o simulado

O simulado é a forma mais completa de uma técnica que a ciência chama de prática de recuperação (ou efeito de testagem): aprender puxando a informação da memória em vez de só reler. Num estudo clássico de Henry Roediger e Jeffrey Karpicke, publicado na revista Psychological Science em 2006, estudantes que se testaram depois de ler um texto lembraram 56% do conteúdo uma semana depois, contra 42% de quem apenas releu o mesmo material. Testar-se venceu reler por uma margem larga justamente no prazo que interessa ao concurseiro: o longo prazo. É o mesmo mecanismo que faz estudar por questões fixar mais matéria do que passar o olho na apostila.

Essa não é uma opinião isolada. Em 2013, uma revisão coordenada por John Dunlosky na Psychological Science in the Public Interest comparou dez técnicas de estudo e colocou a prática de testes e a prática distribuída no topo, com alta utilidade, enquanto grifar o texto e apenas reler ficaram entre as de baixa utilidade. Ou seja: as duas coisas que mais candidato faz (grifar e reler) rendem pouco perto de se testar de verdade num simulado.

E tem o lado emocional, que quase ninguém liga ao simulado. Numa pesquisa de Pooja Agarwal e colegas, publicada em 2014 no Journal of Applied Research in Memory and Cognition com 1.408 estudantes, 72% relataram ficar menos nervosos para as provas quando se acostumaram a se testar em sala, e 92% disseram que a prática ajudou a aprender. Fazer simulado com frequência tira o susto do dia da prova: quando o corpo já ensaiou aquela situação várias vezes, ela deixa de ser uma ameaça. Por isso o simulado é um dos melhores remédios contra a ansiedade pré-prova.

Como fazer um simulado que vale nota

Um simulado mal feito (sem tempo, consultando o material, resolvendo aos pedacinhos) não passa de uma lista de exercícios. O que faz o simulado render é reproduzir a prova real. Siga estes 7 passos:

  1. Escolha um simulado no nível da sua banca. Prova de banca e cargo diferentes do seu treina a coisa errada. Prefira questões da banca que vai te avaliar.
  2. Cronometre igual à prova. Se a prova dá 4 horas para 100 questões, dê o mesmo a você. O tempo é parte da prova, não um detalhe.
  3. Monte o clima de prova. Celular longe, sem consultar caderno, apostila ou internet. É agora que você descobre o que sabe de verdade.
  4. Resolva a prova inteira de uma vez. Aguentar a maratona é um treino em si: as últimas questões caem quando o cansaço bate, exatamente como no dia real.
  5. Corrija com o gabarito e calcule a nota. Compare com a nota de corte do seu concurso para saber onde você está de verdade, sem autoengano.
  6. Anote cada erro. Toda questão errada vira revisão: registre no seu caderno de erros o que faltou e por quê (não sabia, li errado, chutei).
  7. Refaça os erros depois de alguns dias. Volte às questões que errou uma semana depois. Se acertar sem esforço, o buraco fechou; se errar de novo, precisa revisar a teoria daquele ponto.

Uma dúvida comum é com que frequência ir aumentando os simulados ao longo da preparação. Um caminho simples:

Fase da preparação Frequência do simulado Objetivo
Início (aprendendo a matéria) 1 simulado por área, ao fechar cada matéria Testar o que acabou de estudar
Meio (base montada) 1 simulado geral a cada 2 semanas Misturar matérias e treinar resistência
Reta final (últimos 60 dias) 1 simulado completo por semana Ensaiar a prova inteira, no horário dela

Perguntas frequentes

Com que frequência devo fazer simulado?

Depende da fase. No começo, um simulado ao fechar cada matéria basta. Na reta final, o ideal é um simulado completo por semana, no mesmo horário e com o mesmo tempo da prova real, para o corpo já chegar ao dia acostumado à maratona.

Simulado ou resolver questões avulsas: o que é melhor?

Os dois, em momentos diferentes. Questões avulsas fixam a matéria enquanto você aprende; o simulado completo treina o que a questão avulsa não treina: gerir o tempo, aguentar horas de foco e lidar com o nervosismo de ver a prova inteira de uma vez.

Fazer simulado e tirar nota baixa desanima. Vale a pena?

Vale, e muito. Nota baixa no simulado é informação barata: mostra o buraco meses antes da prova, quando ainda dá para consertar. Descobrir a mesma fraqueza no dia da prova custa a vaga. Encare o erro no simulado como aula, não como fracasso.

Quando começar a fazer simulados na preparação?

Não espere "terminar a matéria", isso quase nunca acontece. Comece cedo, com simulados curtos das matérias que já estudou, e vá aumentando o tamanho conforme a base cresce. Testar-se desde o início fixa o conteúdo melhor do que adiar tudo para o fim.

Estudar a teoria é metade do caminho. A outra metade é ensaiar a prova até ela virar rotina, e essa parte só o simulado entrega. Quem deixa para descobrir o ritmo da prova no dia da prova entrega a vaga para quem já ensaiou dezenas de vezes.

Última atualização: agosto de 2026.

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